The Revenant é um filme que vê Leonardo DiCaprio no papel de Hugh Glass, um batedor que se vê abandonado pela sua equipa após sofrer um ataque quase mortal e que, milagrosamente recuperado, parte em busca dos seus companheiros, bem como da vingança dos que o abandonaram, percorrendo a fria floresta americana e confrontando-se com os nativos que monopolizavam estas terras em pleno século XIX. O filme, baseado em relatos reais da vida de Glass, destaca-se especialmente pela cinematografia bem conseguida por Emmanuel Lubezki, que trabalha com Iñárritu mais uma vez e nos traz paisagens de tirar o fôlego, captadas apenas com luz natural nas grandes florestas do Canadá , e pelo fenomenal desempenho de Leonardo DiCaprio que lhe valeu o Óscar de melhor ator nesta última edição dos maiores prémios de cinema da América.
Este filme foi, mais uma vez, uma prova da excentricidade e ambição de Alejandro González Iñárritu; desde as grandes imagens bastante influenciadas por Terrence Malick que obrigavam a equipa a trabalhar apenas durante as horas de luz do dia ao trabalho árduo a que obrigava os atores, já que tinham de gravar na perfeição as suas cenas em poucos takes por terem as horas de trabalho contadas.
Para além de tudo isto, é importante relembrar o impacto que o elenco tem numa produção como esta; para além do grande protagonista que nos dá aqui uma das suas prestações mais sofridas e poderosas, contamos também com a forte presença de Tom Hardy como John Fitzgerald, o homem que deixa Glass às portas da morte e que faz renascer neste último a vontade de vingança. Hardy, um ator de papéis desafiantes e por vezes megalómanos, dá-nos aqui uma das suas melhores prestações, acertando em cheio na caracterização de uma personagem vil e que não olha a meios para atingir aquilo que pretende mas acabando por conseguir humanizá-lo de uma forma que só ele consegue. Destaca-se também Domnhall Gleeson, cuja presença no filme, apesar de pequena, revela o grande potencial de um ator normalmente visto em pequenas produções indies ou comédias românticas e que mostra aqui uma versatilidade para personagens mais severas. Will Pouter é também uma revelação, dado que a sua presença em comédias lhe tira uma seriedade que neste filme recupera e certamente lhe abrirá portas para novos projetos num registo mais dramático.
É também, sendo que um filme é composto por uma série de intervenientes que o completam, importante referir a sonoplastia e a banda sonora: sendo esta uma produção tão perfeccionista, é essencial conseguir transportar o espectador para esta realidade, e o som faz isso mesmo; nenhum pormenor é esquecido e tudo se torna relevante para criar o ambiente pretendido. A banda sonora de Ryûichi Sakamoto (que conta com a participação de Alva Noto) ajuda também a isso mesmo, com as cordas poderosas que parecem mesmo saídas da mente de Glass nos grandes momentos de sofrimento e que se tornam inesquecíveis.
Por fim mas não menos importante, é necessário realçar o pouco mas presente argumento, já que este é um filme que recorre bastante aos estímulos visuais do espectador mas onde o argumento existente se torna relevante, tentando despertar o sentimentalismo no espectador.
Arrisco-me a dizer que esta é a produção mais ambiciosa deste realizador que continua a surpreender com os seus trabalhos exuberantes e inesquecíveis e que prova, mais uma vez, que DiCaprio é um dos melhores atores desta geração.
É um filme a não perder e para aqueles que ainda não assistiram, aqui fica o trailer de The Revenant- O Renascido:



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