domingo, 1 de maio de 2016

O Panenka do Postiga - Senna Sobre Rodas

Foi há precisamente 22 anos que os amantes da Fórmula 1 viram partir aquele é considerado pela maioria como o maior piloto de todos os tempos, falo claro do brasileiro Ayrton Senna. A obsessão que o público em geral tinha por esta lenda deixava-me bastante confuso porque vistos os números: três títulos, 41 grandes prémios e 65 pole positions são quando comparados por exemplo com os números do alemão Michael Schumacher (sete títulos e 91 vitórias) algo curtas. Mas depois de ter visto o documentário sobre a vida dele (Senna, 2010), o qual eu aconselho bastante, comecei a perceber melhor esta Sennamania que ainda hoje, passados tantos anos, ainda perdura.



Desde logo a clara dicotomia daquela que é a maior rivalidade da história da F1, Alain Prost e Senna, onde o francês desempenhava o papel de mau da fita, a favor do sistema que, diga-se, na altura era bastante controverso e que em muito prejudicou o brasileiro, o bom da fita. A rivalidade começou desde muito cedo, quando os dois foram colegas na Mclaren. Eles foram dois ases deste desporto, mas Prost era muito mais metódico, mais conservador, a lutar pelo pontinho sem grandes esforços e Senna muito mais espectacular, com ultrapassagens inacreditáveis e uma perícia a conduzir sobre piso molhado de bradar os céus. Claro está que Senna reuniu muitos mais fãs. Foram dois génios que tiveram o azar de ser da mesma época. Já Schumacher teve mais sorte, uma vez que a concorrência a nível de pilotos era bastante mais fraca e o nível do seu Ferrari era profundamente superior às restantes marcas.

Alain Prost e Ayrton Senna





“Being second is to be the first of the ones who lose” esta foi uma das frases épicas do piloto brasileiro que, juntamente com o orgulho pelo seu país, demonstrado no seu famoso capacete e no uso da bandeira no final das corridas, inspiraram um país inteiro que vivia na altura uma profunda crise. Esta convicção e este querer sempre mais inspiraram não só milhões de brasileiros como também milhões de pessoas em todo o mundo a lutar por aquilo em que acreditavam e a dar sempre o seu máximo. E este é, quanto a mim, o maior legado deixado por Senna. Um episódio que demonstra esta vontade de vencer do piloto é a sua primeira vitória no GP do Brasil, em 1991. Senna já era bicampeão, mas nunca tinha vencido na sua terra natal e isto era algo que o deixava bastante frustrado porque na grande maioria das vezes essa não vitória devia-se a problemas de mecânica. Foram sete tentativas até à primeira vitória, mas o mais incrível foi a maneira como essa vitória foi obtida. O piloto sofreu novamente de problemas mecânicos, desta vez na caixa de velocidades, e isto faltando ainda 20 voltas para o final da corrida. O brasileiro, com uma perícia incrível, conseguiu terminar a corrida no primeiro lugar usando apenas a sexta velocidade!!! O esforço foi tão grande que o piloto teve que ser ajudado a sair do carro e a levantar o troféu devido às fortes dores na zona dos braços e ombros e este é sem dúvida um dos episódios mais marcantes da história do desporto.




As corridas acabaram prematuramente para Senna, tinha apenas 34 anos, mas as recordações e o seu legado ficarão para sempre marcados nas memórias de milhões de fãs. Os maiores serão sempre eternos e o Senna foi o melhor no meio dos maiores.



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