sábado, 23 de abril de 2016

Axilas de Camacho e a Paixão em Forma de Suor - A Polarização

O futebol português polarizou-se em todas as vertentes com o avanço do séc XXI: Porto e Benfica habituaram-se a ir à escola juntos, a estudar juntos, a ir a visitas de estudo juntos, a conhecer e a dar a conhecer toda uma nova panóplia de talentos. Dessa luta insaciável pelo pobre trono do Tugão, surge também um choque de culturas futebolísticas: o 4-3-3 vs 4-4-2, a posse e a transição lado a lado em constante atrito.

E se o Porto começa a introduzir a sua base (que tanto sucesso lhe deu) logo nos primórdios do século, com Mourinho a impor desde logo os 3 homens no meio-campo, o Benfica demorou mais tempo a estabilizar toda a sua mentalidade, dando a sensação de ter passado pela puberdade enquanto o Porto já era um adulto confiante de si mesmo. Se existiram tentativas de 4-4-2 no império vermelho (Trapp é campeão assim, a trilogia Koeman-Santos-Camacho sentia-lhe o gosto de quando em vez, Quique impõe definitivamente mas sem grande resultado), seriam todas inseguras até à chegada de Jesus. E um fenómeno curioso acompanha todo este processo de diferenciação de sistemas e mentalidades- o resto das equipas tenta aplicar o mesmo. O Porto, conseguindo demonstrar o sucesso de toda uma estrutura dedicada a um só propósito de jogo mais precocemente, é vitima de plágios um pouco por todo o campeonato - a QuatroTrêsTrêsianção abate-se sobre os clubes pequenos. Quem esquece aquela Naval que vai jogar à casa dum grande com Baradji-AlexHauw-Godeméche e Marinho-Simplicio nas alas? Quem esquece aquele Guimarães europeu de FlávioMeireles-Svard com Neca ou Benachour á sua frente? O Braga quase campeão nacional com Vandinho-Viana-Mossoró? A própria Selecção Nacional aproveita a boleia.Tornou-se regra: 90% das equipas adoptaram este estilo e protegeram o centro do terreno. Fenómeno curioso ocorre agora com o sucesso benfiquista, mudando o chip das restantes e, consequentemente, o 4-4-2 surge de forma mais regular por esses pelados fora, tendo como grande exemplo Paulo Fonseca que, com a má experiência no Porto, muda a forma de pensar e devolve o bom futebol a Braga com um sistema arrojado, sempre com dois homens fixos na frente. E a selecção aproveita. novamente, a boleia. Jesus e Mourinho serão os homens que marcaram o inicio do milénio em Portugal. Todo o seu conhecimento do jogo atropelou as várias filosofias que se tentaram opor, avalanche cultural que enterrou finalmente os regulares 3-5-2 primitivos da década de 90. É a evolução do futebol português num ajuste claro ao taticismo actual.


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