Venho inaugurar a minha participação neste projecto com um textinho que compus acerca dos cotas no Facebook. Pessoas que no Natal deviam de receber um pouco de noção para deixarem de fazer figuras ridículas nas redes sociais. Chamo-lhes Dinossauros de Facebook, e irei entrar em pormenor acerca das várias espécies destas criaturas jurássicas que se arrastam pelos nossos murais de Facebook
Há vários tipos de Dinossauro de Facebook. O que mais me afecta, a mim e à minha irmã é o Maternossauro, isto é, o perfil de Facebook da minha mãe. Para além de estar constantemente a partilhar fotos de Minions e de 'bons' hábitos alimentares (cuja fonte geralmente recomenda o Cogumelo do Tempo), a minha mãe utiliza o chat do Facebook para falar comigo. Portanto, ela está na cozinha, manda uma mensagem a dizer que o jantar está pronto e ainda tem a lata de dizer que eu é que pareço um bicho, sempre agarrado ao computador e ao telemóvel. Mas quando posto qualquer coisa mais 'desagradável', em vez de comentar no meu mural, chama-me e pergunta (por exemplo):
"Achas normal aquilo que meteste no Facebook?"
"O quê, do Sporting ter ganho ao Benfica?"Pergunto eu inocentemente, sabendo perfeitamente o que tinha feito.
"Achas normal teres dito foram completamente enrabados?"
O Maternossauro é bem capaz de ficar ofendido se postarmos um clip de stand-up comedy ou uma música 'badalhoca' no nosso mural. O Maternossauro não tem noção. Mas não é só no chat.
E sabem aquelas fotos que vocês esperaram nunca ver a luz do dia? Pois bem, o Maternossauro mal aprende a partilhar fotos tiradas com a câmara do telemóvel vai logo a correr para os álbuns fotográficos tirar fotos às fotografias do tempo em que vocês usavam o cabelo à tigela. E nunca lhe peçam para ao menos digitalizar as fotos, porque aí vão ter de explicar-lhe o que é um scanner. E as vezes que somos marcados em estados de imagens do pôr-do-sol com uma frase sobre o quão bom é ser mãe? E é um facto que até as miúdas que tiveram um filho com 17 anos viram Maternossauro e deixam de por fotos em bikini fio-dental e passam a por fotos dos seus 'nenéns'.
Esta geração de pais é uma geração que toma conhecimento que os filhos fumam porque os idiotas metem fotos a fumar no mural. O que sempre aconteceu foi os pais saberem as coisas directamente pelos filhos. Hoje em dia, se for preciso, sabem que vão ser avós através duma foto em que está o genro que eles odeiam com a mão na barriga da filha, e aí vem todo o tipo de imagens à cabeça de um Pai. É por isso que cada vez que um Maternossauro descobre algo novo acerca da vida do filho (leia-se, vida privada que os idiotas decidem tornar pública*), é através do Facebook, e não perdem tempo para confrontar as crias, é que mal descobrem uma merdinha na cozinha, estão já a galopar para o quarto dos filhos com uma dúzia de questões que querem ver esclarecidas acerca do que acabaram de ler 'na internet'.
O Desempregossauro é aquele tipo de gente velha que está nos grupos de procura de emprego com toda uma escrita que faz quem a lê pensar que o gajo tem o teclado todo marado. Um completo caganço em tudo o que é sinal de pontuação e nem vamos falar de quando estas criaturas fazem posts sem querer saber se estão a escrever com maiúsculas e que se calhar não é a forma mais apropriada de se apresentarem a potenciais interessados nas suas suas capacidades profissionais, que regra geral foram adquiridas ao trabalhar num café dum tio durante os últimos 20 anos. E depois, quando são corrigidos mandam tudo às putas e julgam-se perseguidos por uma cabala.
Gente, por favor ganhem noção de que cada vez mais as empresas vêm o vosso Facebook quando se candidatam a postos de trabalho, qualquer bom recrutador tenta encontrar o máximo de informação acerca da pessoa que vai contratar. Mesmo que se candidatem a um café, não acham plausível que o dono vá ver, por curiosidade, se o vosso nome aparece no Facebook? Estes gajos parece que tiram fotos aos passes que tinham de há 10 anos e metem como foto de perfil, o que os faz parecer um predador sexual.

E todos conhecemos pelo menos um Pós-Divorssaurus Rex. Aquelas pessoas que depois de um casamento falhado se lançam nas redes sociais à procura de amor. As mulheres normalmente metem fotos a imitar as porcas; com o cú empinado e a fazer boca de pato. O problema, senhoras, é que as porcas ficam bem porque: a) não tiveram já uma ninhada de filhos; b) não andam com um apêndice de 40 kg a que vocês chamam 'o pneuzinho'. Os homens têm fotos diversas, se virem as fotos em slideshow é como se fosse uma galeria de 'antes e depois' porque as fotos com paisagens em que se vê um gajo gordo, com uma careca de fazer inveja a um frade e com os dentes ligeiramente amarelados, depois vão alternando com fotos a preto-e-branco, em que parecem um deus grego em 1973. O problema é que vocês estão a fazer no Facebook aquilo que não fizeram durante anos de casamento, estão a tentar.
Porque no fundo, todos nos apercebemos dessa maneira sorrateira de flirtar de há 30 anos atrás, voltou agora que estão solteiros. Todos nos apercebemos que quando um gajo divorciado comenta uma foto duma gaja a dizer "fotografia muito bonita", está no fundo a querer dizer "quero esfregar o focinho nesse mamaçal que já alimentou três meninos." E quando elas dizem "haha obrigado (emoticon do anjo)", na verdade querem dizer "por favor, vem dar uso ao meu pipi que já fiz uma cirurgia de rejuvenescimento vaginal há 5 meses e ainda não tive sorte."
Temos por fim o Crisedemeidactyl, esta espécie consiste no típico português atravessar os seus 50 anos e a aperceber-se que começa a chegar aquela fase da sua vida em que tem a percepção de que os anos passam a correr. Desde que o piropo passou a ser crime que tenho deixado de ver tantos machos a comentar fotos de amigas minhas da faculdade. E não sei qual é o problema das mulheres que gostavam de ser flores. A quantidade de mulheres, adultas, que só têm uma foto nas redes sociais, e a maior parte das vezes, podem encontrar essa foto se pesquisarem "flores giras" no Google.
Estas criaturas têm um papel fundamental no Facebook, são elas que partilham 99% dos vírus e spam das redes sociais. Coisas do género "NÃO VAIS ACREDITAR NO QUE ESSE HOMEM FEZ A ESSA MULHER DEPOIS DO SEXO. CLICA PARA VER !", em que têm uma descrição deliberadamente vaga dum vídeo que só é reproduzido se fizerem like e partilharem aquela merda. Nestes casos, o Crisedemeidactyl caga para o vídeo e não se intera que acabou de por aquilo no mural de todos os 35 amigos que tem no Facebook. E depois é só engraçado imaginar como reagirá a sua mulher depois de receber a notificação. Como é que este tipo de conteúdo existiria se não fosse estas criaturas? É isso, e outra coisa que eu gosto muito que são aquelas fotos com frases inspiradoras tiradas dum qualquer grupo brasileiro.
Sabem o que é que esta gente precisa toda? Noção. E o problema é que há casos extremos em que todas as criaturas se juntam numa. A minha sugestão seria mesmo limitar o Facebook a menores de 40. Mas há que ponderar sobre um facto, o hi5 'morreu' quando os mais velhos começaram a criar contas, cada vez mais, os mais novos estão a deixar de ligar tanto ao Facebook e a utilizar mais o Twitter e o Instagram para comunicarem e para tornarem público aquilo que têm noção que não fica bem fazer em frente aos pais. Ao menos há quem tenha noção.


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