quarta-feira, 27 de abril de 2016

Axilas de Camacho e a Paixão em Forma de Suor - Coliseu da Madeira

Situado no cimo das mais altas colinas do Funchal, reza a lenda que Gonçalves Zarco o descobriu numa das suas primeiras explorações á ilha. Emaranhado na densa floresta madeirense, a Choupana era um coliseu em estado cadavérico, com escrituras indecifráveis nas suas paredes prontas a desmoronar.


Anos se passaram e ninguém dá atenção ao monstro; Ali estava, á espera do seu filho pródigo. Entretanto, nascem os Barreiros e ele continua ali, esquecido, triste, engolido.
Em 1998, finalmente alguém se chega á frente: iniciam-se as obras de restauro e o povo está contente.
O Nacional, até então obrigado a partilhar balneários e relvado com os dois amigos locais, arrisca e foge de casa. Está cansado do Caldeirão. Rui Alves, mítico dirigente, põe mãos á obra e adopta o ancião palácio, erguendo aquele que seria o Taj Mahal do futebol tuga.

A partir daí, tudo foram rosas. Qual talismã, o clube inicia a subida supersónica rumo ao estrelato.
Mas falta a figura divina, o objecto de culto: Manuel Machado assume, com as suas temporadas inesquecíveis, o posto e senta-se confortavelmente no seu trono de ferro, olhando com desdém quem lá ousa entrar. No pedestal abaixo, há heróis variados, nomes incontornáveis: Casemiro Mior, Alonso, Adriano, Serginho Baiano, Patacas, Ávalos, Nênê, Micael ou João Aurélio. Todos eles protagonistas das mais belas epopeias nacionalistas.

Casa também das melhores adeptas de que há memória, as senhoras do NACENAL tum tum tum NACENAL tum tum tum dão ao já assustador anfiteatro o som ensurdecedor ao estilo das batalhas épicas do Peloponeso.







A Madeira merece um templo como este.




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