O jogo foi aquilo que deveria ser: controlo total dos italianos, classe e disciplina a virem ao de cima e os fantasmas que prometiam amedrontar as suas focadas cabeças nem oportunidade tiveram de aparecer. Inzaghi mata o jogo nos momentos-chave, aos 45' e aos 82'; Os ingleses, extasiados de tamanha demonstração de força, ainda juntam forças para espirrar o golo de honra perto do final. O que só confirmou a ideia, já de si generalizada, de que aqueles italianos eram imunes à insegurança e duvida existencial. Aquela equipa orquestrada por Pirlo, pilar da Christmas Tree formation, (ler mais aqui) que formava com Káká e Shevchenko o triunvirato perfeito, era o arquétipo da competência
futebolística.
Tudo eram rosas. A equipa era a dominadora europeia do principio de século e nada fazia prever o que aí viria. A partir daí, paradoxalmente, o declínio surge e vai-se acentuando cada vez mais. Um campeonato surge ainda no meio da penumbra, em 2010-11 (alicerçado em Ibrahimovic), mas a hegemonia perde-se inexplicavelmente.
O famoso Milan arrasta-se assim pela segunda década, coleccionando lugares europeus pouco dignos , graves erros de gestão, escolhas duvidosas a nível técnico (plantéis muito aquém do exigível, treinadores sem a mínima preparação para enfrentar um desafio deste calibre) com a qualidade a descer abruptamente.
Em 2016, aqui estamos. O Milan foi 7º da Serie A, ficando sem acesso á Europa. O falhanço Mihajlovic desiste do projecto em Abril e o clube acaba a época a sofrer.
A massa adepta parte para a nova época com esperanças renovadas mas... os erros de sempre teimam em ser cometidos. Substitui-se o sérvio por Montella, italiano que não é mais que uma solução de recurso depois dos trabalhos medianos tanto na Fiore como no Luigi Ferraris ao comando da Samp.
Em termos de plantel, a base (ahaha) mantém-se. Tenta-se melhorar parando em Pescara para dar 9M€ pelo hypado Lupadula e o competente Vangioni é recrutado ao River. Ou seja, mais soluções de recurso e nenhum reforço na verdadeira acepção da palavra.
O Verão ainda agora começou, mas o Milan segue o caminho que vem traçando desde 2007: mediocridade e apatia generalizada numa direcção mais preocupada com outros assuntos. É necessário muito, muito mais que isto.
Entretanto, o San Siro vai chorando.


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