quarta-feira, 27 de julho de 2016

Panenka do Postiga: Caipirinha sem Açúcar


16 de Julho de 1950, uma data de má memória para todos os brasileiros. Jogou-se neste dia a final do Campeonato do Mundo de 50, que se realizou no Brasil. A final foi disputada contra o Uruguai no mítico Estádio do Maracanã. Os Canarinhos jogavam em casa e eram consequentemente a equipa favorita à conquista do caneco. Era uma equipa focada no ataque enquanto que o Uruguai apresentava uma postura bem mais expectante, na defensiva, à procura do erro adversário para jogar no contra-ataque. Os Brasileiros até marcaram primeiro, por Varela, mas este dia estava marcada para ser de grande tristeza para a equipa anfitriã. O Uruguai fez a remontada, ao marcar dois golos, e levou a taça para casa. Este episódio ficou para sempre relembrado no país do samba como o “Maracanazo”.

Um pouco à imagem do que aconteceu com Portugal em 2004, quando perdeu o Euro
jogando em casa, o Brasil era visto por todos como um vencedor antecipado porém, tal não sucedeu e o povo que é conhecido pela sua enorme alegria entrou numa profunda depressão. Há inclusivé registo de alguns adeptos da escrete que se suicidaram após este resultado.
Por todo o mundo caìam críticas à falta de inteligência táctica da equipa brasileira. Dizia-se que era um futebol selvagem com pouco rigor táctico, no fundo uns brinca na areia. A Federação tentou mudar essa postura, a famosa ginga, e tornar o futebol brasileiro mais “europeizado” mas a ginga era a alma do brasileiro posta em campo, o que os tornava especiais e eis que, volvidos 8 anos, no Mundial de 58, surge o Rei Pelé que, com apenas 17 anos conquistou a primeira copa do Mundo da história do Brasil, numa equipa que, entre outros, figuravam Garrincha, Zito e José Altafini. 


Pelé era a ginga e a ginga era o Pelé e foi com este espírito que o rei conquistou três copas do mundo e se tornou para muitos como o melhor jogador da história. A seleção brasileira ainda viria a vencer mais duas copas do mundo, em 94 e em 2002 com o nosso conhecido Scolari, e tanto numa como noutra a famosa ginga esteve presente. Em 94 foram expoentes máximos Bebeto e o sempre irreverente Romário. Já em 2002 figuravam estrelas como Ronaldo Fenómeno, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho. Todas estas equipas tinham um futebol de encher o olho, um futebol bonito, que davam vontade de ir ao estádio. Brasil era sinónimo de futebol espectáculo.

Em 2014 novo Maranazo, o Brasil é humilhado jogando em casa, desta vez contra a Alemanha, num contundente 7-1. Surge então nova depressão. Dunga é novamente chamado ao lugar de selecionador para substituir Scolari mas as fragilidades da equipa continuam a ser expostas a nu e uma fraca participação na Copa América Centenário (Eliminação na Fase de Grupos) faz com que Dunga seja novamente despedido. Para o seu lugar é eleito Tite e pra já ainda não sabemos se esta equipa irá conseguir dar a volta sob o leme do antigo técnico do Corinthians. Mas há claramente muita coisa a mudar. Esta seleção lembra-me uma caipirinha sem açúcar. Tem ingredientes para dar e vender mas falta-lhe sempre qualquer coisa. 


A meu ver esse açúcar que fica a faltar é claramente uma melhor gestão técnica. O técnico brasileiro, no seu geral está ultrapassado, precisa de uma melhor formação. Quantos treinadores brasileiros tivemos a treinar equipas de topo nos últimos anos? Apenas um: Scolari e com resultados algo decepcionantes. Recursos humanos não faltam, em todas as equipas do mundo de topo existe por norma, pelo menos um jogador brasileiro. Uma equipa com guarda-redes como Júlio César e Ederson, com centrais como Marquinhos e Thiago Silva, laterais como Marcelo e Dani Alves, criativos como Neymar, Douglas Costa e Lucas Moura têm que aspirar a mais e esse mais são os tão desejados títulos. Acabado de sair da Lazio, Marcelo Bielsa seria sem dúvida a minha escolha, não só pelo rigor e disciplina que iria trazer ao escrete, bem como o futebol atractivo e atacante praticado pelas suas equipas. A rivalidade do Brasil com a Argentina é sobejamente conhecida mas isso não deveria de impedir a escolha de El Loco para o leme da escrete. Os amantes do futebol agradeciam pois já têm saudades da famosa ginga.


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